O Agente Secreto de Kleber Mendonça Filho se passa em Recife nos anos 70 e conta a história de Marcelo (Wagner Moura), que precisa sair do país, por estar sendo perseguido. O personagem está envolvido numa trama que nem entende direito. Não só ele, mas vários outros personagens que se hospedam no prédio cuidado por Dona Sebastiana (Tânia Maria). Todos ali têm uma segunda identidade, escondem-se de algo. Inclusive ela.
O filme é um thriller eficiente que nos mantém ligados à perseguição em que Marcelo está envolvido. Queremos que ele escape. Torcemos por ele. Ao mesmo tempo em que o acompanhamos, também vemos seus matadores serem contratados e planejarem sua captura. E esta construção narrativa é uma boa escolha para o andamento da história. Em meio a esta trama, foram incluídas lendas urbanas e manchetes reais de casos da cidade na época. Uma delas é sobre o Carnaval “91 mortos e contando”. Além de ser uma manchete sombria, ela nos remete à excelente cena inicial em que Marcelo para em um posto de gasolina e vê um corpo estirado no chão. O frentista explica “ninguém veio buscá-lo ainda porque é Carnaval”. A cena ainda mostra policiais que chegam ao posto mas, ao invés de recolherem o corpo, tentam tirar alguma vantagem de Marcelo ou de qualquer outro cliente que estivesse ali. Em uma cena, o diretor resume a dinâmica do país que é mostrado no filme. Um país cheio de pirraças. Se há um agente secreto, ele pode ser qualquer um daqueles personagens que se escondem na casa da Dona Sebastiana. Ou pode ser simplesmente a ditadura que colocou todos eles naquela situação: escondidos, temerosos, com identidades diferentes. Identidade esta que é preciso resgatar por meio de filmes, memória e fatos.

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