quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Cem Anos de Solidão

Cem Anos de Solidão é considerada uma das obras mais importantes da literatura colombiana e sul-americana, além de ser umas das mais lidas e traduzidas de todo o mundo. Escrita por Gabriel García Márquez, ela narra a ascensão e a queda da fictícia aldeia de Macondo através de várias gerações da família Buendía. Macondo é o “lugar onde a realidade delira e a memória nunca termina”.
 
A série na Netflix é a primeira adaptação audiovisual do clássico romance e acompanha as sete gerações da família Buendía na mítica cidade. Dirigia por Laura Mora e Alex García López, ela foi toda filmada na Colômbia com atores colombianos. A produção tem 16 episódios com a 1ª temporada lançada em 2024 e a segunda, em agosto de 2026 . O capítulo final foi gravado como um longa-metragem. A produção se dedicou a fazer jus à obra original e percebemos esta dedicação em todos os episódios.

O objetivo dos fundadores de Macondo, entre eles José Arcadio Buendía e a matriarca Úrsula Iguarán era: “... construir esse lugar sonhado onde ninguém possa decidir nada pelos outros, nem a forma de morrer. E este lugar vai se chamar Macondo”.

Só faltou avisar o restante do mundo... E, já, no início da história, o autor nos mostra que aquele ideal não foi realizado ao anunciar: "Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía havia de lembrar daquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo." Não seria possível a ele escolher a forma de morrer.

Macondo se corrompe quando se mistura com o restante do mundo. Pela história da família, vemos a cidade crescer, a religião surgir, a autoridade se impor, o poder corromper, a linha do trem alcançar, a exploração matar...

A série nos envolve nesta história tão real quanto fantasiosa de forma bastante eficiente. A sensação de repetição, a memória, o desejo, o assombro, tão recorrentes no livro estão ali representadas em interpretação e imagens. Se Macondo existisse, seria a cidade do filme. Mas será que não existe? Um pouquinho em cada uma de nossas cidades? E de nossas famílias? Junto com a solidão que está sempre a nos acompanhar, por mais irônico que isto pareça?