quarta-feira, 3 de junho de 2026

O Drama

Imagina você descobrir a pior coisa que o seu parceiro já fez (ou quase) na vida? E que esta descoberta te choque de forma bastante forte, como se você não conhecesse mais aquela pessoa e tudo que pensava sobre ela mudasse de perspectiva?

Esta é a premissa de O Drama estrelado por Robert Pattinson (Charlie) e Zendaya (Emma). O filme se inicia com Charlie relembrando o momento em que conheceu Emma. Ele está escrevendo o voto do casamento deles que acontecerá em uma semana. Pela cena,  percebemos que se trata de um casal apaixonado e, principalmente, conectado.

Eles são exigentes eticamente. Ela, ainda mais. Não perdoa o deslize de uma DJ contratada para tocar na festa, que, em nada, é relacionado com o trabalho que será realizado pela profissional na recepção. Passou a vê-la diferente quando a viu consumindo drogas e não vai mais contratá-la. A atitude da DJ em sua vida particular mudou o olhar e conceito que se tinha sobre ela.

Ironicamente, esta situação é a mesma pela qual Emma passará com Charlie, mas em uma dimensão muito maior. Afinal, são o noivo, a madrinha do casamento entre outros que passarão a enxergá-la diferente, como se não a reconhecessem. Em uma brincadeira com os padrinhos, enquanto tomavam vinho, eles resolvem contar o que de pior já fizeram na vida. E o que Emma conta muda toda a dinâmica do ambiente. E do filme.

O diretor  Kristoffer Borgli passa a mostrar cenas do imaginário de Charlie após saber o que de pior a noiva já fez. Emma percebe pela expressão do noivo no que ele está pensando. Este tipo de situação no filme é eficientemente construído. E a evolução desta dinâmica leva O Drama para situações cada vez mais surpreendentes.

Em certo momento, assistimos à Charlie tentando refazer seu voto de casamento. Entre suas tentativas, pensa em escrever “Conheço pessoas piores que você”. A verdade é que não conhecemos ninguém totalmente. E, a todo momento, podemos nos surpreender com opiniões ou atitudes que, até então, considerávamos impensáveis ou inaceitáveis. O filme desconstrói aquela história do “sei tudo sobre ele”. Não sabemos e será que deveríamos saber mesmo?